Um 2014 de luz.
Em 2012, por esta altura, estava zangada com o ano que chegava ao fim. 2013 não gostou e vingou-se do meu desagrado como que um castigo que carrego em cada suspiro. Rever estes 365 dias num minuto é encontrar mais dor que alegria, mais lágrimas que sorrisos, é marcar ausências que embora não pareçam, ainda, reais, são para sempre e não há volta a dar por mais voltas que o mundo dê. Olho para trás por cima do ombro e chove, o dia que foi este ano está cinzento e triste e partiu-me o coração que se vai cicatrizando devagar, devagarinho. Ouvi ontem que um coração partido deixa entrar luz pelas fissuras. Que assim seja.
Não gosto da passagem de ano, da festa e da euforia que é suposto sentir quando os zeros no relógio se alinham. Este é tão somente, para mim, um dia de reflexão onde coloco na balança o bom e o mau, e permito-me o luxo de trancar tudo em mais uma caixinha que abrirei apenas para retirar boas memórias e lições. Ainda assim, no momento em que o fogo rebenta nos céus e a esperança é maior, volto a ser criança ingénua e deixo-me acreditar que a mudança será para melhor. É apenas isto que gosto no passo em frente rumo a mais um Janeiro, a ideia, talvez utópica, de que posso recomeçar com novo fôlego, numa nova caminhada onde todos os trilhos estão em aberto. Assim o destino ajude e desta vez só os bons serão percorridos. Que haja luz em 2014.
