As minhas quatro paredes.
Sento-me no meio das minhas quatro paredes. Sinto-as mais perto, aquecidas pela minha própria respiração. Gelando-me o corpo na sua pequena imensidão. São o meu mundo. O meu pequeno triste mundo. Ouço as vozes do lado de fora. Passos apressados de quem sabe que não tem tempo. Gargalhadas profundas de quem ainda lhes encontra motivo. Histórias deliciosas de quem escolhe a aleatoriedade inevitável em detrimento do medo inevitavelmente inútil. Que saudades da vida com vida. De sentir para além das rugas que estas paredes me cravam nas mãos, do vazio com que me preenchem os dias. Estes dias frios, bafejados com a respiração que dói no peito. Esta dor que, por ser tão profunda e constante, serve apenas para me lembrar que estou, afinal, viva. Sento-me no meio das minhas quatro paredes. Espero e imploro pela força que as derrube. Temo que me derrubem primeiro.
