Não acredito em acasos.
Não acredito em acasos. De uma forma ou de outra, vou-me apercebendo que a vida se liga e nos liga num fio condutor que nem sempre parece lógico ou justo, mas que no fim acaba por fazer sentido. Não é, muitas vezes, imediata esta luz que se acende em nós e nos ilumina as ideias e o caminho, é no entanto inequivocamente esclarecedora.
Há precisamente três anos cruzavam-se neste Mundo terreno, nesta esféra palpável, dois dos homens da minha vida. Um acabado de chegar, outro a ensaiar o adeus. Naquele dia em que me chovia na pele e sorria de felicidade pelo novo amor que me enchia o peito sem ainda ter sequer conhecido, não percebi o que havia para perceber. Foi preciso tempo. Foi preciso perder.
Hoje, que o coração se acomoda à nova forma que as feridas lhe deram, consigo ver. Há três anos atrás, num dia em que o Sol se escondia, talvez para não me mostrar a total clareza do momento, chegava o Gabriel. O meu doce Gabriel, desejado e amado por todos. Pouco tempo depois, não sem antes lhe dar o colo orgulhoso de bisavô, deixando a mensagem que ainda nos soa a todos na cabeça "Façam dele um homem", partia o nosso querido avô. Hoje sim, consigo ver. Consigo entender. Consigo saber. E esta sabedoria conforta o peito meio dorido, meio feliz. Um Anjo chegou porque outro tinha de partir. Deixou-nos para nos guardar, deixou-o para nos reconfortar. Não acredito em acasos. Parabéns amor da prima.
