No tempo aprendo
Aprendi a apreciar o tempo. Aquele que corre no momento, neste momento em que sou só eu e ele e o som das teclas a imprimir o meu pensamento. Aquele que já passou e que me feriu, não sei se na mesma proporção com que me abençoou. Aprendo ainda a não pensar no tempo que falta. O que é interrogação e por sê-lo chega a doer. O que é certeza das coisas que não posso mudar e por sê-lo, mais uma vez, dói. Corrói. Destrói aquele que é certo e que é agora.
Gosto da minha nostalgia e da forma como ela não deixa morrer o que é importante. Como a cada passo e a cada queda, me permite olhar para trás com novo olhar, e para a frente com mais sabedoria. Gostava de poder saltitar entre o antes e o agora. Ir lá atrás buscar os instantes que foram tão breves e que, na inocência do caminho, só valorizei na sua inexistência.
Na minha bipolaridade emocional, não gosto, afinal, da tal nostalgia. É como uma mão que me puxa para trás quando sei que o único sentido é em frente. É a forma desesperada de tentar devolver à essência a sua matéria, a que se perdeu e não volta, a que se esfumou e é agora nada a não ser memórias que carrego. Umas vezes pesadas, outras de uma leveza ímpar, de quem descobre que afinal foi tão feliz.
O tempo não é cruel nem benévolo. Ele apenas passa. Somos nós que temos de aprender a passar com ele.
