Tomar balanço. Continuar.
Abandonei este canto como abandonei tudo o resto. Como se, de alguma forma, o acto de sair deixasse para trás todas as dores. Como se bater com a porta acomodasse a vida ao meu jeito, e tudo, finalmente batesse certo. Nem eu sei já o que é o certo. Há tantas nuances, tantos caminhos sonhados, tantos outros frustrados. Há planos desfeitos, outros cumpridos sem o sabor prometido. Chegar ao fim e perceber que não era assim que queria, querer tanto começar e não pisar sequer a linha de partida.
Aprendi nestes meses aquilo que sempre soube. Não há por onde fugir, não há portos seguros para as tempestades. A vida faz-se colada a nós, com todos os amores, todas as dores, todas as razões que não chegamos a compreender. A vida faz-se connosco ao lado dela. Passando pelas tormentas e alcançando os oásis. Caminhando. Às vezes em frente, outras dando os tais dois passos atrás. Tomo balanço e continuo. A vida, levo-a comigo.
